1º de maio no Rio de Janeiro terá ato em Copacabana pelo fim da escala 6×1

Fortalecimento das negociações coletivas e combate à violência contra as mulheres também são pautas deste ano

Centrais sindicais, partidos e movimentos sociais vão às ruas de Copacabana nesta sexta-feira (1º), a partir das 14h, para defender o fim da escala 6×1, a redução de jornada sem redução de salário, o combate a fraudes e a pejotização e o fortalecimento das negociações coletivas. Além disso, estão em pauta o combate à violência contra as mulheres e feminicídio, e a defesa da paz e da soberania, diante da guerra no Oriente Médio.

A expectativa dos movimentos e dirigentes sindicais é a construção de um 1º de maio histórico. “A data tem contornos especiais pelo fato de ser um ano eleitoral. Sem democracia, sem soberania, a gente vive situações como foi a reforma trabalhista, que a gente depois tem que correr atrás do prejuízo para recuperar direitos coletivos. Então, acho que esse é o desafio que está pautado em 2026”, disse a integrante da Executiva Nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT) no Rio de Janeiro, Duda Quiroga.

A dirigente também aponta a necessidade de aprovação do projeto enviado pelo governo federal ao Congresso que determina o fim da escala 6×1 e fixa a carga horária de 40 horas semanais como a máxima permitida. Para ela, a aprovação de um projeto de lei, em vez de uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) possibilita que a mudança ocorra de forma mais rápida.

Nessa mesma perspectiva, o presidente da Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB) no Rio, Paulo Farias, em texto publicado na página da Central, defendeu a importância de estar nas ruas neste momento. “As reuniões de alinhamento e mobilização já estão acontecendo a todo vapor, pois entendemos que o Dia do Trabalhador será o momento crucial de conscientização e diálogo direto com a base”, escreveu.

Para articular um maior número de trabalhadores, a CUT-Rio tem uma programação que inclui ações em diferentes regiões do estado. “Na Baixada, o ato começa às 9h da manhã e segue até às 15h, tem ato em Santa Margarida, na zona oeste, no sul e norte fluminenses. Enfim, uma série de atos sendo chamados para o próprio dia 1º, em alguns lugares para o dia 2º, mas tudo com o foco da luta e da confraternização da classe trabalhadora”, contou Quiroga.

Ainda nesta quarta-feira (29), haverá uma panfletagem unificada das centrais e movimentos sociais no Largo da Carioca, no centro do Rio. Ainda na quarta, CTB e o movimento Vida Além do Trabalho (VAT) farão ações na Central do Brasil para a mobilização dos trabalhadores. A CTB inicia panfletagem às 7h da manhã e o VAT fará uma audiência pública da Comissão do Trabalho e Emprego da Câmara Municipal de Vereadores.

Impacto do fim da escala 6×1

Um estudo realizado pelo pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Felipe Vella Pateo mostra que o impacto do fim da escala 6x1 para grandes empregadores equivale a uma medida de valorização do salário mínimo. Nesses casos, como para a indústria e comércio, o efeito total da redução de jornada sobre os custos não chega a 1%. No comércio varejista, por exemplo, que concentra 7 milhões de vínculos no país, o aumento no custo do trabalho seria de 1,04%.

Uma pesquisa divulgada pelo Instituto Datafolha em março deste ano apontou que 71% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6×1. O apoio ao fim da escala 6×1 é maior entre os jovens, com 83% dos entrevistados entre 16 a 24 anos e 75% entre 35 a 44 anos. No grupo de 60 anos ou mais, o apoio fica em 55%.

 

Fonte: Brasil de Fato | Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

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