Basta fechar um novo ACT e o Cepel já volta a demitir. Será que estavam aguardando o fechamento do acordo? Mais uma demissão arbitrária, sem critérios claros, inesperada. Novamente, gente dedicada e competente! Cria-se assim um ambiente de trabalho onde reina a insegurança, a desconfiança e a desmotivação! Ao contrário do que se pensa, esse nível de pressão continuada leva à desmotivação.
Conforme pesquisas em gestão e psicologia organizacional, empregados se dedicam de forma consistente quando acreditam que o esforço será reconhecido, as regras são previsíveis e não serão descartados arbitrariamente. Do contrário, não se pode esperar engajamento dos trabalhadores, já cansados desse modelo de gestão. Sobretudo, o clima de insegurança eleva fatores de risco psicossocial no trabalho.
Vale lembrar que a norma de saúde e segurança no trabalho (NR-1) passou a incluir explicitamente os riscos psicossociais e empresas que não gerenciam esses riscos estão sujeitas a penalidades. Porém, não basta gerenciar os riscos formalmente, é necessário que as medidas preventivas sejam concretas, o que não é viável em um ambiente de trabalho inseguro e instável.
Demissões constantes ou um ambiente de “ameaça permanente de demissão” podem aumentar significativamente a exposição jurídica de uma empresa, especialmente quando isso afeta o clima organizacional, a saúde mental dos empregados ou aparenta ser uma política informal de gestão por medo. Também há o risco de caracterizar dispensa coletiva “fragmentada” ou “disfarçada”, para evitar a negociação com os sindicatos.
A intervenção sindical prévia é necessária em dispensas coletivas. Esperamos que o Cepel e a Axia Energia, sua principal mantenedora, estejam atentos a estes riscos, a fim de evitá-los.
No mais, fica a pergunta: Como serão atingidas as metas quando se desliga sumariamente profissionais que executam projetos e serviços visando justamente a atingir essas metas?! Trabalhadores altamente especializados que dificilmente se encontram no mercado? Aumentam-se as estruturas de controle, mas não as equipes executoras, que ainda ficam fragilizadas com a perda de pessoal estratégico. A mera reposição quantitativa não resolve o problema, muito menos a sobrecarga de trabalho se a equipe for reduzida. Portanto, é a sustentabilidade do próprio centro que fica ameaçada com essa forma de gestão de pessoas.
Fonte: Boletim Linha Viva (18/05)