“Tsunami que está por vir”: manifesto de prêmios Nobel faz alerta global urgente sobre a IA

Mais de 200 especialistas alertam que a inteligência artificial já está modificando o mercado de trabalho e cobram mecanismos de proteção antes que seja tarde

Mais de 200 economistas e pesquisadores, entre eles 15 ganhadores do Prêmio Nobel, assinaram uma declaração conjunta alertando que a inteligência artificial pode remodelar a economia global em uma velocidade e escala que superariam os impactos da Revolução Industrial.

O documento, intitulado “Precisamos agir agora”, foi divulgado nesta segunda-feira (13) e convoca governos, formuladores de políticas e líderes do setor tecnológico a construírem mecanismos de proteção antes que a disrupção se torne irreversível.

Economistas, formuladores de políticas e líderes tecnológicos devem agir agora para compreender a economia da IA ​​transformadora e para construir os incentivos, as salvaguardas e as instituições necessárias para direcionar a IA em uma direção que complemente os humanos e beneficie a sociedade”, diz o documento.

O que torna o manifesto especialmente significativo é quem o assinou. Organizada pelos economistas Erik Brynjolfsson, Ajay Agrawal, Anton Korinek e Tom Cunningham, a carta tem entre seus signatários Daron Acemoglu e Simon Johnson, ambos professores do MIT e laureados com o Nobel de Economia de 2024, conhecidos justamente pelo ceticismo público anterior em relação ao potencial disruptivo da IA.

“Se você observar o que os robôs fizeram no setor manufatureiro, e a IA fizer algo equivalente em um período de tempo muito menor, isso seria realmente disruptivo e muito custoso para o sustento das pessoas”, disse Acemoglu ao The New York Times.

Medições contraditórias

Também ao jornal estadunidense, Brynjolfsson ressaltou anos de medições contraditórias que deixaram os pesquisadores lutando para avaliar quem está mais em risco. “Ainda vejo uma grande lacuna aí, uma grande discrepância, e estou preocupado que não estaremos preparados para o tsunami que está por vir”, advertiu.

As transformações ainda não foram totalmente compreendidas. Embora números mostrem que a taxa de desemprego nos Estados Unidos estivesse em 4,3% em março, mostrando estabilidade, a folha de pagamento de profissionais de escritório registrava naquele mês contração há 31 meses consecutivos.

De acordo com Aaron Terrazas, ex-economista-chefe do Glassdoor, isso não tem precedentes. “É evidente que a contratação de profissionais de escritório diminuiu e a folha de pagamento desse setor também. Isso é extremamente incomum, considerando os últimos 70, 80 anos”, disse Terrazas em entrevista ao site Quartz. “O fato é que nunca vimos uma contração tão longa nos empregos de escritório fora de uma recessão. Isso deveria ser um sinal de alerta.”

IA e o tempo para se adaptar

A urgência tem um enquadramento histórico preciso. Anton Korinek, professor da Universidade da Virgínia e pesquisador da Anthropic, resumiu o problema.

O vapor, a eletricidade e os computadores deram às sociedades décadas para se adaptarem; a IA pode nos dar apenas alguns anos. Não podemos improvisar nossa estratégia e instituições no meio da transformação; esperar pela certeza significa chegar tarde demais”, afirmou.

Ajay Agrawal, professor da Rotman School of Management da Universidade de Toronto, destacou o cenário de incerteza. “Se o rápido avanço da IA ​​elevará amplamente os padrões de vida globais ou concentrará severamente a riqueza, isso não está predeterminado; depende de como optarmos por reestruturar nossos sistemas políticos e econômicos hoje. Não podemos nos dar ao luxo de esperar que a transformação completa chegue e, enquanto isso, confiar em uma estrutura institucional otimizada para um mundo anterior à previsão de alta fidelidade”, pontuou.

Entre os signatários também estão representantes das Big Techs como Sarah Friar, diretora financeira da OpenAI, e Jeff Dean, do Google.

 

Fonte: Revista Fórum

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