A Sede do Cepel

Abandonar a sede no Fundão e colocar o Cepel "escondido" em um escritório no Centro seria um retrocesso de 50 anos e o afastamento da UFRJ

Conforme carta divulgada semana passada, os sindicatos solicitaram uma reunião com o Diretor-Geral do Cepel para tratar da possível mudança de sede do centro. A empresa respondeu que o assunto está sendo estudado e que maiores esclarecimentos poderão ser dados no mês de agosto. Porém, há fortes rumores e indícios de que a mudança deverá acontecer até o final deste ano. Não entendemos porque o assunto não pôde ser tratado abertamente no momento.

Desde 2020 discute-se a possibilidade de mudar a sede do Cepel, mas tal mudança não foi realizada até o momento porque não é nada trivial e têm impactos para o centro e seus empregados. Expomos aqui as principais questões:

– Identidade – Pretende-se transferir a sede para um prédio comercial compartilhado com outras empresas? A sede é um símbolo de uma empresa, reforçando sua marca perante clientes, parceiros e empregados. A sede do Cepel é parte de sua própria identidade. Sem a sua sede exclusiva o centro perderá sua identidade.

– Patrimônio público – O que pode acontecer com as instalações da sede atual, construída com dinheiro público e com o propósito específico de abrigar o principal centro de pesquisas de energia elétrica da América do Sul? Tornar-se mais um prédio abandonado na Ilha do Fundão?

– Rescisão contratual – Qual será o custo de rescindir o contrato de aluguel com a UFRJ um ano antes do prazo?

– Transferência de Laboratórios – questão complexa em termos logísticos e econômicos. Desde 2020 não foi encontrada uma solução e nem espaços adequados para a transferência segura e a reinstalação de toda a infraestrutura laboratorial da sede. Espera-se que não pretendam fechar ou encolher esses laboratórios, que são referências em suas áreas de atuação e geram receitas importantes para o centro.

– Demissões – quantas demissões podem ocorrer se houver uma contração do Cepel? Haverá demissões em massa?

– Transporte – há décadas o centro conta com um sistema de ônibus para o transporte dos empregados. A supressão de roteiros tende a ser prejudicial e lesiva para muitos empregados. Para não falar de estacionamento, outra questão que preocupa muitos trabalhadores.

– Estagiários e bolsistas – a proximidade com a UFRJ facilita o deslocamento de alunos essenciais para as atividades do Cepel e sua colaboração com a UFRJ. Afastar a sede da universidade dificultará a captação de estagiários e bolsistas

Alega-se que a eventual mudança de sede possa representar uma redução de custos. Vale lembrar os grandes sacrifícios que tem sido feitos ao longo dos últimos anos. A maior parte dos empregados sênior foi desligada contratando-se no lugar empregados para ocupar níveis iniciais de carreira; inúmeros laboratórios foram fechados; metade do terreno da sede foi devolvida a UFRJ para redução de custos relacionados ao aluguel. As despesas anuais reduziram na mesma proporção desses cortes tão drásticos? Outros gastos teriam surgido ou aumentado reduzindo o efeito dos cortes já realizados? O que leva a acreditar que a mudança de sede seja uma saída para o equilíbrio financeiro do centro?

Há 52 anos o Cepel iniciou suas atividades em um escritório no Centro do Rio, mudando-se pouco tempo depois para a Cidade Universitária, onde foi construída a sua sede atual, como parte de um projeto governamental para aproximar centros de pesquisa da UFRJ. Abandonar esta sede, colocando o Cepel “escondido” em um escritório no Centro seria um retrocesso de 50 anos e o afastamento da UFRJ. O maior custo será a descaracterização e o encolhimento do Cepel, afetando uma marca construída ao longo de décadas.

 

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