No histórico de lutas e militância, as trajetórias de algumas pessoas são indissociáveis de outras. São histórias de companheiros e companheiras que, na linha de frente, encontraram um amigo/irmão e alcançaram, juntos, tantas realizações que deixaram uma marca que supera o personalismo e prova que a vida, quando acompanhada, é mais bem vivida; que a luta, quando não se está só, é mais potente.
Em 2026, o Consenge homenageou uma dessas duplas em seu encerramento. As fotos que registram muitos anos de militância provaram: quando os cabelos ainda não eram brancos e as rugas eram raras, Clovis do Nascimento e Olímpio Alves dos Santos, hoje presidente e diretor de Comunicação, respectivamente, do Sindicato dos Engenheiros no Estado do Rio de Janeiro, já estavam juntos na luta contra as privatizações e o avanço do neoliberalismo, contra o fascismo e a financeirização da vida, pelos direitos dos trabalhadores, por um Brasil soberano e por uma engenharia consciente de seu papel social.
São décadas de parceria nas trincheiras da esquerda, ambos parte de um grupo de engenheiros progressistas que inaugurou a fase que o SENGE/RJ vive desde a redemocratização do país, unindo a luta sindical, pela categoria, à militância ativa pela construção de um país mais justo, dono de si mesmo, consciente de seus algozes e ativo na batalha pela emancipação de seu povo.
No final da manhã de sábado (29/08), quando recebeu de Roberto Freire a placa que o homenageia, Clovis lembrou, bastante emocionado, como a luta colocou o amigo inseparável na sua vida: “Mesmo militando no SENGE/RJ, nós não nos conhecíamos, mas tínhamos um amigo em comum, o Cândido, que falava que ‘quando vocês se conhecerem, serão grandes amigos”. Cândido estava certo. Lá se vão 30 anos de parceria, cuidado e afeto entre os dois companheiros. Olímpio explicou o que aconteceu quando se deu a conexão de almas: “eu tive um irmão mais novo, que faleceu antes de eu nascer. Acho que, por isso, eu busco um irmão. E Clovis é meu irmão. Assim como é Vanessa, minha querida amiga, que trabalha comigo”.
Vanessa estava na homenagem feita a Olímpio. Gerente do SENGE/RJ, ela construiu com ele uma relação sólida de companheirismo que não poderia estar fora de um texto que buscou traçar a trajetória de Olímpio. Freire também destacou sua vida laboral na CSN, no Ministério de Minas e Energia e na CERJ (atual Ampla). No sindicalismo, Olímpio foi fundador da CUT, presidente da Fisenge e do Senge/RJ, onde hoje dirige a comunicação. A homenagem fechou com um trecho de seu depoimento para o livro de 20 anos da Fisenge: “Tínhamos a certeza de que iríamos construir algo profundo. Não sabíamos o caminho, mas sabíamos o que queríamos: um sindicalismo combativo e democrático. Queríamos construir um país com igualdade, liberdade, democracia e soberania. Tivemos a coragem de mudar e fundamos a Fisenge”. Freire finalizou: “hoje, em 2026, sabemos o caminho e ele é o norte da sua trajetória: a luta! Viva Olímpio”!
As homenagens a Clovis também voltaram à infância e adolescência, à formação, ao trabalho na CEDAE, desde 1973 e à fundação do PT e da CUT. No Senge/RJ, lembrou Freire, Clovis dirigiu assembleias, promoveu debates políticos, aliou cultura e cinema com os filmes de Silvio Tendler, lutou contra as privatizações. Na Fisenge, enfrentou um dos períodos mais duros da recente história da política brasileira. Quando foi presidente da Federação, aconteceu o golpe contra a presidente Dilma Rousseff e a aprovação das reformas trabalhista e previdenciária.
“Foi em seu mandato que teve a coragem de estampar na capa da revista da Fisenge uma charge de Latuff representando Temer puxando o tapete de Dilma. Clovis sempre foi um visionário, na vanguarda do sindicalismo brasileiro. E coerente em seus posicionamentos políticos. Jamais tergiversou na luta em defesa da engenharia, democracia e da soberania nacional. Também foi durante a sua presidência na Fisenge que levou toda a diretoria para Curitiba, onde o presidente Lula esteve preso e ali no acampamento ‘Lula Livre’ expressou e demonstrou a solidariedade revolucionária”, lembrou Freire.
O destaque, porém, estava em sua marca pessoal: a generosidade e o apoio e contribuição constantes com os movimentos sociais e as lutas da classe trabalhadora e a postura aguerrida de um verdadeiro lutador em defesa da engenharia, da democracia e da soberania nacional.
Além de Olimpio e Clovis, também foram homenageados na manhã do dia 29/08 o ex-presidente do Confea, Henrique Luduvice e a dirigente sindical Maria Helena Barbosa. Clique aqui para conferir.
Texto: Rodrigo Mariano – SENGE/RJ | Foto: Fábio Orlam




