Dançarino e coreógrafo, Cláudio Bernardo é um artista multidisciplinar. Cruzando teatro, cinema, instalações de vídeo, performances, exposições e edição literária, fundou a Companhia As Palavras, que já conta com mais de 60 peças e colaborações com outras companhias. É também responsável por levar a cultura brasileira à Europa com a sua arte e por trazer a Europa para o Ceará.
No Soberania em Debate de 13 de fevereiro, Cláudio contou à jornalista Beth Costa e ao advogado Jorge Folena sobre o seu encontro com a música, ainda criança, dentro de casa. Seus pais, um caminhoneiro e uma vendedora de loja de departamentos, se apaixonaram em um baile popular e nunca mais deixaram de dançar juntos. Os filhos, Cláudio e a irmã, cresceram dançando com eles. “Nos fins de semana, meus pais colocavam na vitrola discos de Natalie Cole, Luiz Gonzaga, e nós dançávamos com eles, passando por entre suas pernas. Foi naquele labirinto amoroso que a dança me pegou pela mão”, contou.
Foi com o que aprenderam com os pais que Cláudio e a irmã participaram de um concurso e ganharam. Dali, foram convidados a se apresentar em um programa de TV no Rio de Janeiro. Um professor de dança que assistia o programa entrou em contato e convidou ambos a fazerem curso de dança. Quando era criança, eu queria ser padre. Mais tarde, escolhi estudar psicologia. Mas, quando me tornei estagiário na companhia de dança, a arte entrou de vez na minha vida. Entendi que tanto a espiritualidade quanto a psicologia também estavam na dança”, contou.
O talento de Cláudio nos palcos o levou até a Bélgica, onde interpretou na companhia do premiado e mundialmente reconhecido Maurice Béjart. E foi Béjart que disse a ele que “o mundo precisa de coreógrafos”. Ele queria ser intérprete, mas seguiu o mestre até Los Angeles, onde aprendeu o ofício enquanto procurava sua identidade, aquilo de que se apropriaria para expressar em suas coreografias.
Cláudio buscou inspiração em Serra Pelada, nos movimentos dos trabalhadores, para a sua primeira peça. O espetáculo garantiu-lhe residência em um importante teatro de Bruxelas. No período, passou a levar a arte para fora do teatro, trabalhando com populações marginalizadas.
“Eu perguntava para eles qual seria a cidade ideal para eles. Esses textos foram incluídos em um espetáculo, Cidade Invisível, apresentado em uma piscina pública, para famílias que viviam no entorno do teatro mas jamais entravam nele. Também passou por cidades menores, levando a dança contemporânea para públicos que não a conheciam. Foram 17 anos de palestras em universidades e aulas que educavam o público.
Por 25 anos, Cláudio manteve contato com suas raízes no Ceará. Ao conhecer Icapuí, a última praia do estado que ainda não havia visitado, encantou-se. Decidiu que o festival Diagonal, que acontecia nos jardins de sua casa, na Bélgica, precisava ser levado para aquela terra. Três edições do Festival Diagonal já aconteceram em Icapuí. Eles recebem artistas de São Paulo, Rio, Canadá, Bélgica, Fortaleza e Cascavel, buscando uma formação ainda mais popular e plural do público. “Ainda não temos um grupo de dança aqui, mas há uma abertura. Acho que, futuramente, formando as crianças e adolescentes, podemos chegar a isso”,
O programa Soberania em Debate, projeto do SOS Brasil Soberano, do Sindicato dos Engenheiros no Rio de Janeiro (Senge RJ), é transmitido ao vivo pelo YouTube, todas as quintas-feiras, às 16h. A apresentação é da jornalista Beth Costa e do cientista social e advogado Jorge Folena, com assessorias técnica e de imprensa de Felipe Varanda e Lidia Pena, respectivamente. Design e mídias sociais são de Ana Terra. O programa também pode ser assistido pela TVT aos sábados, às 17h e à meia noite de domingo. O programa também pode ser assistido pelo Canal do Conde.
Texto: Rodrigo Mariano / Senge RJ