Demissão não dispensa Hélio Cabral nem governador de responsabilidade na crise da água

O Senge-RJ pediu abertura de inquérito civil ao MP e espera que a Alerj instale uma CPI para investigar a crise da geosmina
Para o presidente do Sindicato dos Engenheiros no Estado do Rio de Janeiro (Senge RJ),Olímpio Alves dos Santos, a demissão de Hélio Cabral da presidência da Companhia Estadual de Água e Esgoto (Cedae), nesta segunda-feira (10), não exime o executivo afastado nem o governador Wilson Witzel de suas responsabilidades na crise no abastecimento do estado, onde várias regiões têm recebido água com cheiro e gosto ruins, desde o início de janeiro.
“Nada disso teria ocorrido se o governador não tivesse escolhido para a direção da empresa alguém sem conhecimento do setor, por indicação política e do mercado”, afirmou Olímpio. Em março de 2019, o sindicalista moveu uma Ação Popular pedindo a suspensão da posse de Hélio Cabral, argumentando que o executivo não tinha “reputação ilibada”, uma exigência estabelecida pela Lei das Estatais (Lei nº 13.303/2016) para assumir o cargo, uma vez que era membro do Conselho de Administração da Samarco em 2005, quando ocorreu o desastre ambiental de Mariana.
Para suceder Hélio Cabral, Witzel teria indicado o engenheiro Renato Lima do Espírito Santo, funcionário de carreira da estatal. “Ele é do ramo, e esperamos que possa restabelecer o padrão de gestão técnica da Cedae, para o que tem todas as condições”, diz o presidente do Senge RJ. Ele destaca, contudo, que é “fundamental cobrar as responsabilidades do governo do Estado e do ex-presidente Hélio Cabral, mesmo desligado da estatal, pela decisão de não adotar a ‘descarga’, operação prevista no plano de contingência para casos de identificação de algas nos afluentes, e que teria evitado os problemas no abastecimento”.
Nesse sentido,o sindicato enviou ao Ministério Público, no último dia (4), um pedido formal de abertura de inquérito civil para apurar por que a Cedae deixou de cumprir o procedimento operacional padrão para impedir a entrada de algas na Estação de Tratamento de Águas (ETA) do Guandu. O Senge RJ também solicitou à empresa detalhamento do processo de decisão durante a crise, com base da Lei de Acesso à Informação.
CPI na Alerj
“Da mesma forma, é importante que a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) instale a CPI, para ouvir todos os envolvidos na crise da geosmina”, defende o presidente do Senge RJ. “A sociedade precisa saber o que aconteceu. Se isso é parte de um plano macabro para vender a Cedae barata ao mercado financeiro.”
Na manhã desta terça-feira (11), em audiência pública na Alerj para discutir o fornecimento de água na região metropolitana, Hélio Cabral deixou o plenário sob vaias e sem responder aos parlamentares que questionaram se o sucateamento da Cedae não visava acelerar a sua privatização. Reunião do Conselho de Administração da Cedae, também nesta terça, vai tratar da troca de direção na empresa.

Mais informaçõeshttps://www.sengerj.org.br/posts/3832-sindicato-dos-engenheiros-pede-ao-mp-abertura-de-inquerito-contra-a-cedae

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