Reconhecemos os desafios envolvidos na realização de uma obra de grande porte, como a ferrovia que ligará Nova Iguaçu (RJ) a Santa Leopoldina (ES). No entanto, a experiência recente nos oferece inúmeros exemplos do que acontece quando projetos estratégicos são postergados ou relegados a segundo plano pelo poder público. O histórico de paralisações e abandonos nos ensina que retomar empreendimentos interrompidos é uma tarefa árdua e, muitas vezes, inviabilizada por interesses alheios ao desenvolvimento nacional.
Um caso emblemático ilustra esse risco: a engenharia nacional acompanhou, estarrecida, a paralisação das obras do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), fruto da criminosa Operação Lava Jato. O empreendimento, que poderia ter gerado R$ 7 bilhões em receitas desde 2018 e 212 mil empregos diretos e indiretos, foi abandonado devido à atuação de uma quadrilha instalada no Judiciário. Os impactos socioeconômicos na região de Itaboraí foram devastadores, comprometendo mais de uma década e meia de desenvolvimento para o estado e para o país. Apenas agora, 16 anos após o início das obras, foi inaugurada a primeira unidade do Complexo de Energias Boaventura. Uma década e meia perdida.
Não podemos permitir que esse padrão se repita. Ele precisa ser superado, e o primeiro passo para isso é eliminar, já na concepção dos projetos, qualquer fragmentação das obras. As diferentes fases do empreendimento devem ocorrer simultaneamente em todos os trechos, evitando que partes essenciais da ferrovia jamais saiam do papel.
A EF-118 é um eixo estruturante para o desenvolvimento do Sudeste e não pode ser reduzida a um mero corredor de escoamento de produtos do Porto do Açu, em São João da Barra (RJ), até Anchieta (ES). Esse trecho de 170 quilômetros é relevante, mas precisa estar plenamente integrado aos demais 405 quilômetros da ferrovia, 325 dos quais atravessam o estado do Rio de Janeiro, conectando Nova Iguaçu a São João da Barra.
A ferrovia foi concebida para fortalecer a logística de transporte de carga na região Sudeste, impulsionando o desenvolvimento econômico ao longo de seu trajeto. Assim deve permanecer. Não aceitaremos retrocessos.
Diretoria do Senge RJ