Clóvis Nascimento fala sobre saneamento, água e política pública no sétimo EngeCast

O engenheiro civil e sanitarista destacou a incompatibilidade do fornecimento de água e tratamento de esgoto com o foco das empresas privadas nos lucros, e alerta: "Estamos na contramão da história".

Com quatro décadas de atuação no setor de saneamento ambiental da Cedae, o engenheiro civil e sanitarista Clóvis Nascimento assumiu a responsabilidade de tratar, no EngeCast, um dos temas mais desafiadores para o presente e o futuro do planeta: a água e seu manejo. Para isso, trouxe para o papo com a jornalista Camila Marins uma experiência que entrelaça a engenharia e a militância política.

Com 40 anos de atuação no setor de Saneamento Ambiental, na Companhia Estadual de Água e Esgoto do Rio de Janeiro (CEDAE), ele foi, também, um dos fundadores do Observatório Nacional dos Direitos à Água e ao Saneamento. Pós-graduado em Políticas Públicas e Governo, foi presidente da Fisenge por dois mandatos e exerceu os cargos de subsecretário de estado de Saneamento e Recursos Hídricos do Rio de Janeiro e diretor nacional de Água e Esgotos da Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental do Ministério das Cidades, no período de 2003 a 2005.  Clóvis ainda presidiu a Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES), por dois mandatos e foi vice-presidente da 4ª Região da Asociación Interamericana de Ingenieria Sanitária y Ambiental, região que compreende os países Chile, Argentina, Paraguai, Uruguai e Brasil.

Ao lembrar da carreira, Clóvis falou da privatização da Cedae, que acompanhou – e contra a qual lutou com a sociedade civil – desde o governo Fernando Henrique, até que os governadores Wilson Witzel e Cláudio Castro, o ex-presidente fascista Jair Bolsonaro e o sistema judicial articularam e legislaram o suficiente para conseguirem vender a distribuição de água e o esgotamento.

“Infelizmente, estamos na contramão da história. E o pior é que quem não tem água é a população mais pobre, das favelas, periféricas, rurais, que vão continuar sem atendimento. É uma população que luta pra sobreviver e não tem condições de pagar uma tarifa majorada pela variável do lucro. Muito menos as empresas que ganharam as licitações irão investir nessas áreas, que não resistem a nenhum planejamento que exija retorno. Vamos ter que seguir lutando para atender essas populações”, destacou o sanitarista.

Clóvis conta, também, como foi seu encontro com o falecido engenheiro, Manelito Dantas, primo de Ariano Suassuna, na Paraíba, que lhe explicou sobre a lida com a seca no Nordeste.

A apresentação do EngeCast é da jornalista Camila Marins. A realização é da Fisenge, com patrocínio da Mútua. A edição e coordenação técnica é de Felipe Varanda.

Confira os outros episódios do podcast da engenharia:

 

MEIO AMBIENTE E ENGENHARIA
com Roberto Freire, Aliciane Peixoto e Alexandre Pessoa


RETOMADA DA ENGENHARIA NACIONAL
com Henrique Luduvice e Pedro Campos

MULHERES NA ENGENHARIA, NAS CIÊNCIAS E NA POLÍTICA
com Simone Baía e Mônica Francisco 


PETRÓLEO, PETROBRAS E PRÉ-SAL

com Guilherme Estrella


ENGENHARIA E GESTÃO PÚBLICA
com Jorge Bittar

 

ENGENHARIA, FLORESTA, ARTE E TEATRO
com Verônica Bonfim


SANEAMENTO, ÁGUA E POLÍTICA PÚBLICA
com Clóvis Nascimento

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