No início de junho, um projeto que pode impactar diretamente a engenharia nacional chegou à Presidência da República: o programa Mais Engenharia. O objetivo do projeto é instaurar uma política de Estado capaz de solucionar um problema antigo da engenharia em um país de proporções continentais: a falta de equipes de engenheiros, agrônomos, geólogos e demais profissionais das geociências em pequenas prefeituras e comunidades que carecem de acompanhamento técnico para o desenvolvimento de sua infraestrutura e para a segurança dos munícipes.
Entregue em mãos à ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, o projeto é proposta de campanha de um dos candidatos à presidência do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia e vem sendo defendido como possível proposta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o próximo governo.
Com inspiração no programa do Governo Federal que reforçou o SUS em localidades que não atraíam médicos e garantiu o repasse de recursos para a melhoria da infraestrutura física para os atendimentos nos rincões do país, o Mais Engenharia, se implementado, poderá garantir empregos qualificados, com o Salário Mínimo Profissional da Engenharia como remuneração inicial, ao mesmo tempo que propicia o exercício do papel social da engenharia como vetor de desenvolvimento e dignidade para moradores de cidades e comunidades que não conseguem arcar com os custos de equipes especializadas para obras de saneamento, habitação, distribuição de energia e infraestrutura urbana.
O projeto também mira solucionar um problema na educação: as incertezas sobre o mercado de trabalho vêm reduzindo, ano a ano, o número de vestibulandos optando pela formação na área tecnológica. As vagas do Mais Engenharia pelo Brasil garantiriam postos de trabalho de qualidade para os recém-formados. Os impactos podem chegar, ainda, aos currículos: como o Mais Médicos, que realinhou os currículos das universidades de medicina para as necessidades do SUS, as faculdades de engenharia focariam nos gargalos para a garantia de uma vida digna para o povo brasileiro.
Ao repetir a fórmula de sua contrapartida na área da saúde, o programa deverá dar a mesma prioridade para o preenchimento das vagas: primeiro, engenheiros brasileiros com registro no Brasil; em seguida, brasileiros formados no exterior e, por fim, engenheiros estrangeiros com registro validado no país.




