Abraço, um filme em defesa dos que lutam por todos

O longa-metragem, dirigido por DF Fiuza e patrocinado pelo Sindicato dos Professores do Estado de Sergipe, estreia hoje em cinemas e online. Por meio da ficção, resgata a força da vocação militante. Confira a entrevista com o diretor.

Estreia nesta quinta (15), Dia dos Professores, o longa-metragem Abraço, dirigido por DF Fiuza, que conta de forma ficcionada a mobilização real de 30 mil professores, de diferentes cidades de Sergipe, que, em 2008, decidiram ir à capital travar juntos uma batalha jurídica e política por seus direitos. O episódio marcante para a história das lutas sindicais e dos trabalhadores faz uma ponte emocionante com a realidade atual, e rendeu várias premiações no prestigiado Festival de Cinema de Pernambuco 2019: Melhor Filme, (Júri Popular), Melhor Atriz e Melhor Trilha Sonora Original.

O filme começa a ser exibido em cinemas — com ocupação reduzida, devido à pandemia –, nas cidades de  Salvador, Rio de Janeiro, Fortaleza, Belém/Ananindeua, São Paulo, Manaus e Brasília. Online, está em cartaz nas plataformas virtuais www.cinemavirtual.com.br e na www.looke.com.br. No dia 29 de outubro, entra na programação (streaming) da Apple TV, do Google Play, Now, Vivo Play e YouTube Filmes, distribuído pela O2 Play Filmes.

Abraço nasceu para celebrar, em 2017, os 40 anos do Sindicato dos Professores de Sergipe (Sintese), responsável pelo financiamento integral do projeto. Tem o objetivo de criticar e expressar as angústias da realidade atual do país, na melhor tradição dos intelectuais orgânicos, na definição do filósofo marxista Antonio Gramsci, de produzir cultura indissociada de um projeto de transformação. “Minha função como artista é refletir a realidade a partir da arte”, afirmou o cineasta ao SOS Brasil Soberano, durante o Soberania em Debate, com a participação do historiador Francisco Teixeira e o cientista político e advogado Jorge Folena.

“A oportunidade de fazer um filme tem que ser muito aproveitada”, explica Fiuza.”Em vez de um documentário sobre a história do sindicato, decidimos fazer uma ficção que dialogue com o Brasil de hoje. Isso foi logo após o golpe, entrando um governo que estava decepando, quebrando as pernas dos sindicatos, metendo a Reforma Trabalhista, acabando com o Ministério da Cultura. Detonando as estruturas que levamos 500 anos para construir.”

Outra preocupação importante na construção do roteiro foi fortalecer o ânimo dos militantes, aqueles que, com ou sem atuação partidária, tem o que DF Fiúza chama a “essência” da militância, daquele que “luta por uma sociedade mais justa e sabe que a realidade não é o que é, mas resulta de uma construção política”. Num cenário de derrotas sucessivas, o cineasta quer ajudar o militante a recuperar sua esperança e autoestima, ao mesmo tempo em que descontrói os preconceitos da sociedade contra ele.

“Queríamos que o filme também pudesse a ajudar o militante a recuperar a esperança. E mostrasse para a sociedade o que é ser militante. Porque há um olhar da sociedade em geral de que sindicalista não trabalha. A ideia era construir um filme que mostrasse o sindicalista como ser humano, mostrar que fazer luta social é abrir mão da própria vida, por um coletivo. A questão é que o coletivo não reconhece. Para o militante, a luta é a maneira que ele tem de existir. O peixe nada, o pássaro voa, o militante luta, combate, sem isso ele não vive.”

O cineasta escolheu então nos arquivos do sindicato o episódio retratado no filme, quando o governo do Estado tentou extinguir a progressão de carreira dos profissionais. Um momento de resistência intensa para os professores, que foram juntos enfrentar o governo nos tribunais. A abordagem de Fiuza permitiu projetar questões macropolíticas e atuais, envolvendo o Judiciário, a retirada dos direitos e a importância dos sindicatos e da união de forças dos trabalhadores.

Cultura e racismo estrutural
O diretor também está desenvolvendo uma série — “Projeto Gaiola” –, que acompanha a trajetória de um ex-preso político que, a partir de 1985, com a redemocratização, resolve se estabelecer numa cidade do Nordeste. Vai enfrentar labirintos kafkianos na busca de direitos simples, como uma matrícula escolar.

A referência principal do argumento é o livro Discurso da servidão voluntária, de Étienne de La Boétie, publicado em 1563. “Essas são as três premissas básicas da nossa série, retiradas do livro: onde houver uma situação de injustiça, haverá uma rede de beneficiados; à sombra de um grande ditador, há sempre pequenos ditadores; a soma de interesses particulares é que gera a exploração coletiva”, conta o cineasta.

Para ele, é fundamental disputar o campo da cultura, das narrativas, da arte. Critica, nesse sentido, séries atuais de grande qualidade, além de novelas e outras peças de entretenmento, mas que reproduzem preconceitos e o racismo estrutural da sociedade. “A direita não faz palestras para formar pessoas capitalistas; ela faz comerciais de 30 segundos”, alerta Fiuza. Não à toa, produtos culturais com uma visão de mundo diferente, socialista, não encontram empresas, bancos ou outras fontes de financiamento.

> O Soberania em Debate é uma realização do Movimento SOS Brasil Soberano, do Sindicato dos Engenheiros no Estado do Rio de Janeiro (Senge RJ) 

Para assistir ao trailer:
https://www.instagram.com/p/CF-aSOpgFoH/?igshid=4syu60nrv7rx

Para a entrevista de DF Fiuza no Soberania em Debate, na íntegra:
https://www.youtube.com/watch?v=7C6KnaXBAR8&feature=emb_title

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