O agronegócio derrubou, em média, uma área equivalente ao arquipélago de Fernando de Noronha por dia em 2025. Embora o país tenha registrado redução de 20,6% no desmatamento em relação ao ano anterior, a perda de vegetação nativa seguiu em escala expressiva: foram 984.794 hectares devastados ao longo do ano, o equivalente a cerca de 2.698 hectares por dia, o equivalente a quase 27 km². Noronha tem 26 km².
Do total de vegetação nativa destruída, 99% se deu por conta da expansão agropecuária.
Os dados fazem parte do Relatório Anual do Desmatamento no Brasil (RAD 2025), da rede MapBiomas, divulgado nesta quarta-feira (27). Pela primeira vez desde o início da série histórica do levantamento, em 2019, a área total desmatada ficou abaixo de 1 milhão de hectares em um único ano.
A redução dá continuidade a um movimento observado nos últimos anos. Depois de alcançar mais de 2,1 milhões de hectares em 2022, no último ano do governo de Jair Bolsonaro (PL), o desmatamento passou a recuar no país, chegando agora ao menor patamar da série recente.
Mas a destruição continua ocorrendo em ritmo acelerado em diferentes regiões do território. Ao longo de 2025, a área média devastada foi de 112 hectares por hora. Só na Amazônia, a perda média chegou a 792 hectares por dia, o equivalente a cerca de cinco árvores derrubadas por segundo. Em sete anos, o Brasil acumulou perda de mais de 10,9 milhões de hectares de vegetação nativa, área superior ao território de Pernambuco.
Cerrado segue no centro da pressão sobre a vegetação nativa
Mesmo com queda de 16,9% em relação ao ano anterior, o Cerrado permaneceu como o bioma mais desmatado do Brasil em 2025. Foram 540.614 hectares perdidos, o equivalente a 54,9% de toda a área desmatada no país.
A distância em relação aos demais biomas segue significativa. Na Amazônia, segunda colocada no ranking, foram registrados 289.478 hectares desmatados, redução de 23,5% em comparação com 2024.
O levantamento aponta ainda que Amazônia e Cerrado responderam juntas por mais de 84% de toda a área desmatada no país em 2025.
O Pantanal apresentou a maior redução proporcional do país, com queda de 48,4% em comparação com 2024. Ao longo do ano, foram registrados 12.260 hectares desmatados no bioma.
Agropecuária continua sendo principal vetor de pressão
A expansão agropecuária concentra quase toda a pressão sobre a vegetação nativa brasileira. Segundo o levantamento, esse vetor respondeu por 99% da área desmatada em 2025 e por mais de 97% da perda acumulada nos últimos sete anos.
Outros fatores aparecem de forma mais localizada. O desmatamento associado ao garimpo permaneceu quase totalmente concentrado na Amazônia, enquanto a supressão de vegetação relacionada a empreendimentos de energia renovável ocorreu predominantemente na Caatinga.
O relatório também identificou aumento de 7% no desmatamento ligado à expansão urbana em relação ao ano anterior, sobretudo em áreas do Cerrado e da Amazônia.
Estados que mais desmataram em 2025
- Maranhão – 154.294 hectares
- Piauí – 150.001 hectares
- Bahia – 110.616 hectares
- Tocantins – 101.233 hectares
- Mato Grosso – 100.511 hectares
- Pará – 93.237 hectares
- Amazonas – 67.986 hectares
- Minas Gerais – 40.083 hectares
- Mato Grosso do Sul – 36.776 hectares
- Ceará – 27.077 hectares
Fonte: Brasil de Fato | Foto: Mayandi Inzaulgarat/ICMBio