Com faturamento de R$ 600 milhões, Blaze corta benefícios dos trabalhadores alegando ‘ambiente eleitoral’

Plataforma que já foi alvo de CPI e ostenta patrocínios de peso impõe cortes sem negociação prévia, segundo relatos

No último dia 29 de maio, a Blaze, uma das maiores plataformas de aposta do país, anunciou que cortará o Vale Refeição (VR) dos trabalhadores. No comunicado enviado às equipes, a empresa, que tem sede em Curaçao, na região do Caribe, mas que mantém um escritório em São Paulo, justificou a medida alegando que o “ambiente político e eleitoral” do país “traz preocupação e apreensão”.

“Estamos vivendo um momento desafiador para os operadores de apostas regulados no Brasil”, afirma a Blaze no documento enviado aos trabalhadores. “O crescimento descontrolado de plataformas ilegais e sem mecanismos adequados de controle vem impactando diretamente as empresas que atuam dentro da regulamentação, gerando empregos, arrecadação e segurança para consumidores e colaboradores”, explica a empresa, que continua argumentando pelo corte no benefício.

Os recentes aumentos tributários, somados à ampliação de custos operacionais e regulatórios, vêm comprometendo parte do planejamento originalmente estruturado. A insegurança jurídica gerada por manifestações de agentes públicos e candidatos, com promessas de aumento de imposto e até bloqueios ao setor, potencializada pelo atual ambiente político e eleitoral, também traz preocupação e apreensão”, finaliza.

Em 2025, a Blaze faturou U$$ 115 milhões (aproximadamente R$ 600 milhões), de acordo com a projeção do Gross Gaming Revenue (GGR), que é o índice que calcula o faturamento das plataformas de apostas, cujos parâmetros de cálculo foram estabelecidos pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda (MF) no dia 31 de janeiro de 2025.

A Blaze mantém quase 200 trabalhadores contratados em todo o território nacional. Cerca de 150 tiveram o benefício retirado. Todos trabalhavam em modelo remoto e recebiam o VR. Com a mudança, apenas os funcionários que trabalham presencialmente passaram a receber.

Além do corte do benefício, a empresa solicitou que os que vivem em São Paulo abandonassem o modelo remoto e passassem a trabalhar na sede da empresa. Cerca de 30 pessoas não concordaram e teriam sido demitidas, de acordo com trabalhadores escutados pela reportagem.

 

Fonte: Brasil de Fato | Foto: Freepic

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